
Georges Méliès, o "mágico dos filmes", responsável pelo cinema que conhecemos hoje, nasceu em Paris, em 8 de Dezembro de 1861. Foi dono do famoso Le théâtre Robert-Houdin, teatro “Robert-Houdin" e foi um dos maiores ilusionistas da França conhecido como o "pai dos efeitos especiais" no cinema.
-Chaplin chamou-lhe "alquimista da luz"
-D. W. Griffith disse dever-lhe tudo o que sabia
-Martin Scorsese disse que "ele inventou tudo, basicamente, inventou tudo".
Hoje 08 de Dezembro, comemoramos o nascimento de um dos maiores responsáveis por trazer beleza e esplendor para o cinema, Georges Méliès. Filho de um famoso empresário no ramo de calçados em Paris, Georges começou a construir teatros de fantoches de papelão aos dez anos e fabricar marionetes quando adolescente. Se juntou a seus irmãos no negócio de calçados de família, onde aprendeu a costurar, e após três anos de serviço militar obrigatório, seu pai o enviou a Londres para trabalhar com um amigo da família. Lá, começou a visitar o Egyptian Hall, que era dirigido pelo ilusionista londrino John Nevil Maskelyne, e desenvolveu uma paixão ao longo da vida pela magia do palco. Quando voltou a Paris, queria estudar pintura na École des Beaux-Arts, mas seu pai não quis apoiá-lo financeiramente como artista. Enquanto trabalhava na fábrica da família, Méliès continuou a cultivar seu interesse pela magia do palco, participando de apresentações no Théâtre Robert-Houdin, fundado pelo mago Jean Eugène Robert-Houdin. Começou também a ter aulas de magia com Emile Voisin, que lhe deu a oportunidade de realizar seus primeiros shows públicos, no Cabinet Fantastique do Grévin Wax Museum e, mais tarde, na Galerie Vivienne.
Após assistir uma apresentação do cinematógrafo, um invento dos irmãos Auguste e Louis Lumière (pais do cinema), Méliès achou que o objeto seria útil para seu teatro, conseguiu uma câmera na Inglaterra, onde sem querer descobriu que a mesma poderia distorcer o tempo, criando assim os efeitos especiais do Cinema. Em 1902, lançou sua obra mais conhecida: Le voyage dans la Lune (Viagem à Lua) e mais diversos outros filmes utilizando a técnica até hoje usada, o Stop Motion, ou quadro a quadro, que utiliza uma sequência de fotografias diferentes de um mesmo objeto inanimado que no final dá a ideia de movimento.

Méliès filmou cerca de 500 filmes, foi um gênio de importância imensurável para a sétima arte; sua grande fase de produção foi entre 1902 e 1913. Infelizmente, com o crescimento da indústria cinematográfica e a chegada da I Guerra Mundial, seus teatros foram fechados e muitas de suas obras vendidas para fábricas de celuloide para produção de botas para os soldados; o próprio Mèliés, falido e desanimado com a situação, acabou destruindo parte de seus filmes. Acaba se tornando vendedor de brinquedos numa galeria comercial da estação de trens de Montparnasse, mas, em 1925 é redescoberto pelo cineasta Leon Druhot, que o tira do esquecimento e luta para que seja reconhecido, Méliès então, é premiado com a Legion d'Honneur em 1931 por toda a sua carreira.
Em 1932, mudou-se para a casa de repouso da indústria cinematográfica em Orly, onde viveu seus últimos dias com sua esposa Jeanne d'Alcy e sua neta Madeleine. Méliès morreu vítima de câncer no Hospital Léopold Bellan, em Paris, em 21 de janeiro de 1938; seu corpo está sepultado no Cemitério de Père-Lachaise.

Méliès é homenageado no livro A Invenção de Hugo Cabret, de Brian Selznick, e em 2011 o diretor Martin Scorsese recria sua história no belíssimo filme de mesmo nome, premiado com cinco Oscar, uma verdadeira declaração de amor ao cinema!
Méliès foi diretor, produtor e roteirista; criava cenários e figurinos fantásticos, atuava, coloria cada frame manualmente e já usava a técnica do storyboard. Foi o responsável por trazer magia e beleza ao cinema com criatividade à frente de seu tempo!
Pouco antes de sua morte, um dos criadores da Cinemateca Francesa, Henri Langlois, recuperou e restaurou grande parte dos filmes de Méliès, e felizmente, diversos deles podem ser encontrados na web. Vou postar alguns para quem quiser dar uma conferida e apreciar seu maravilhoso trabalho.
Le chaudron infernal (1903) - O caldeirão infernal
L'Homme à la tête en caoutchouc (1901) - O Homem da Cabeça de Borracha
Le Diable noir (1905) - O Diabo Negro
Le voyage dans la Lune (1902) - Viagem à Lua: o fime foi feito em preto e branco e também colorido à mão por Méliès, essa versão foi considerada por muito tempo perdida até ser encontrada em 1993 em péssimo estado, em 2010 finalmente foi lançada depois de anos de restauração.
Voyage à travers l'impossible (1904) - Viagem através do Impossível
La lune à un mètre (1898) - O Sonho do Astrônomo
Le Manoir du diable (1896) - A mansão do Diabo, considerado o primeiro filme de horror da história do cinema, já falei sobre ele aqui.
Nenhum comentário:
Postar um comentário