sexta-feira, 31 de março de 2017

Night Gaunt - H. P. Lovecraft


   Night Gaunt (Espreitadores Noturnos), é um dos 36 sonetos que fazem parte do poema Fungi From Yuggoth (Fungos de Yuggoth) de H.P. Lovecraft, escrito entre Dezembro de 1929 e Janeiro de 1930. 


Ilustração: Les Edwards
Necronomicon: The Best Weird Tales of H. P. Lovecraft: Commemorative Edition


















   De acordo com cartas escritas por Lovecraft, a inspiração para a criação desses e tantos outros seres veio de seus sonhos, como podemos ver no trecho de uma correspondência enviada a Rheinhart Kleiner (um dos mais antigos correspondentes de Lovecraft).


   "Como meras histórias, essas confusas fantasias não teriam valor, mas em se tratando de sonhos são um tanto pitorescas. É uma sensação de experiência fantástica e sobrenatural ter visto essas coisas estranhas. Tenho tido esses sonhos desde idade suficiente para me lembrar e provavelmente continuarei tendo até eu morrer. Entre minhas melhores recordações, estão visões de incríveis penhascos, abismos, rochas sombrias e escuridão repugnante, onde era carregado por garras de demônios com asas negras, o qual batizei de "espreitadores noturnos", quando eu tinha seis anos! Eu viajei para lugares estranhos que não existem na Terra ou qualquer planeta conhecido. Eu fui um piloto de cometas e um irmão para as nebulosas..."





      Espreitadores noturnos

De que cripta surgem, está além de minha compreensão,

Mas toda noite vejo as coisas ominosas,

Escuras, de chifre, e magras, com asas mambranosas,

E caudas que trazem do inferno o bífido ferrão.

Elas vêm no vento norte, uma legião,

E ferem e excitam ao me agarrar com mãos odiosas,

Levando-me para realizar viagens monstruosas

Por mundos cinzentos de pesadelo e escuridão.



Sobre os picos quebrados de Thok elas se lançam,

Ignorando todos os meus brados

E descem às profundezas do fétido lago

Onde, inquietos, os shoggots inchados descansam.

Mas, oh! Se elas pudessem ao menos um som produzir,

Ou usar um rosto onde rostos deveriam existir!




*Tradução de Carlos Orsi

Nenhum comentário :

Postar um comentário